Cearense é ouvida na ONU, tal qual jovem canadense que calou o mundo em 92


27/04/2015

Mais de 15 milhões de crianças do Oriente Médio e Norte da África estão fora da escola. Além dessas, cerca de 6 milhões estão a ponto de abandonar os bancos escolares. Os números estão num relatório que a Unicef e Unesco, organismos da ONU, publicaram em conjunto em outubro do ano passado e está sendo agora divulgado.

Quem são essas crianças? De um modo geral, diz o relatório, são os mais pobres, as meninas, os que vivem em áreas rurais e os de comunidades minoritárias. Ou aqueles que tiveram suas vidas dilaceradas pela guerra, com perdas de parentes próximos e territórios.

“À medida que a violência se expande, outros milhões estão em risco de se tornarem uma geração perdida, privada de conhecimento e de habilidades necessárias para serem adultos bem sucedidos”, diz o texto do relatório.

Em setembro deste ano, em Nova York, mais uma reunião dos 193 países que compõem a ONU vai pôr foco nesta e em outras questões que deixam patente a desigualdade e as fraturas do modelo civilizacional escolhido até agora. Nesse encontro, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, vai mostrar ao mundo quais são os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS).

A história desses “objetivos” é simples. Em 2000, já com a certeza de que os impactos causados pelas alterações climáticas recairão mais fortemente sobre os mais pobres, a ONU se reuniu para sugerir metas aos países e, assim, endereçar um possível fim à série de vergonhosas situações como essa, de crianças fora da escola. A essas metas, os delegados da ONU chamaram de Objetivos do Milênio (ODM) e impuseram um prazo para que fossem cumpridas: 2015.

Alguns analistas contam que o estímulo deu certo: uma porcentagem dessas metas, se não foram totalmente cumpridas, quase chegaram a ser. Sendo assim, já com o prazo terminado, o secretário-geral Ban Ki-Moon decidiu fazer uma espécie de segunda edição dos ODM.

As oito metas passaram a ser dez. Acabar com a pobreza; promover crescimento sustentável e empregos; educação para todos; proteção dos direitos humanos; saúde para todos; agricultura sustentável; cidades sustentáveis; energia sustentável e mudanças climáticas; biodiversidade sustentável; boa governança.

Por mais que o termo possa ser genérico demais, “educação para todos” é uma mensagem clara. Como bem mostra o relatório que cito no início deste texto, algo a mais precisa ser feito do que construir escolas ou capacitar professores. A violência precisa dar uma trégua. No caso dos países focados pelo estudo, a guerra por territórios ou discordância entre raças e credos traça sua costumeira linha de desgraças e mortes.

Mesmo já tendo escolhido as metas que serão oficialmente publicadas em setembro, a ONU ainda se reúne, de tempos em tempos, para organizar a Conferência que vai acontecer em Nova York, quando será feita a apresentação por Ban Ki-Moon. Pois foi em uma dessas reuniões, realizada no mês passado nos Estados Unidos, que a menina Maria Antonia Furtado Ferreira, de 14 anos, nascida em Crato, cidade cearense, uma das principais do Vale do Cariri, foi convidada a palestrar.

Quando recebi o e-mail da assessoria da ONG ChildFund, responsável pela viagem da menina, que me oferecia uma entrevista com Antonia, lembrei-me imediatamente de Severn Suzuki. Não sei se vocês se lembram dela, mas foi a menina de 12 anos que na Rio-92 fez um comovente apelo aos delegados das nações para que não desperdiçassem o tempo em conferências sem obterem o resultado que sua geração necessitava para viver um mundo melhor.

Assim como Severn, hoje uma ativista ambiental, Antonia também foi ouvida por alguns representantes de países diversos. Mas, como não era uma Conferência, e sim uma reunião preparatória, a garota brasileira teve menos holofotes.

Antonia estava ali com um objetivo bastante ousado: falar pelas crianças latino-americanas, e foi escolhida pela ChildFund por ser uma jovem bem participativa, não só em sua escola, a Estado da Paraíba, onde está cursando o nono ano do Fundamental II, como também numa instituição de ajuda famílias carentes.

Antonia, que vive numa comunidade muito pobre, tem foco em questões sociais, precisa ainda superar muitos desafios e tem algo que não se viu no discurso de Severn Suzuki: esperança em instituições.
“Para o mundo ser mais igualitário e ter paz é preciso que os cuidados venham desde a família até a instituição e na escola. Assim é possível abrir a mente de jovens, que começam a olhar para a sociedade com outros olhos e começam a ter atitudes voluntárias para melhoria de todo mundo”, disse Antonia.

Ser ouvida

A maior queixa da menina, que ela julga ser o protesto comum a seus amigos de bairro, é de não ser ouvida. “Os jovens aqui do Crato são inseguros porque acham que nunca vão ser ouvidos, não têm espaço mesmo. Uma oportunidade dessas como eu tive, de poder falar para pessoas que decidem as coisas, é um bom exemplo, para eles, de que é possível”, disse ela.

Como não podia deixar de ser, a grande preocupação ambiental de Antonia e seus colegas é com a seca. Por isso, estiveram estudando melhores métodos de economizar e guardar água. Reutilizar água da máquina de lavar roupa, por exemplo.

Com ajuda da equipe da ChildFund, o grupo de jovens foi às ruas fazer entrevistas com moradores e colheu muitas informações sobre a falta de saneamento básico, outra questão que certamente não faria parte da lista de preocupações da jovem canadense.

Em Muriti, bairro vizinho à comunidade do Gesso, onde mora Antonia, não há saneamento. E os jovens levarão essa reivindicação, que é a mais básica de todas as necessidades humanas, aos órgãos públicos responsáveis para ver se conseguem atingir seu objetivo.

Perguntei a Antonia se na região onde mora há fábricas e se os empresários participam desse movimento em busca de melhorias, já que obtém lucro ali. Não me surpreendi quando a menina disse que as empresas ainda não tinham se manifestado. Mas gostei de ter lançado a ideia:

“Boa essa sugestão, estou anotando aqui e vou já levar para a reunião com os meus amigos”, disse ela.
Antonia falou aos estrangeiros sobre sua vida e sua peleja. Já viu jovens sendo mortos por estarem envolvidos com drogas; na vizinhança se sabe de crianças que foram estupradas dentro da própria casa; na escola sofre-se bullying o tempo todo e por coisas banais: “Até porque um tem cabelo cacheado, pronto, vira vitima”.

Vinte anos depois de Severn Suzuki ter feito um discurso que calou os líderes no púlpito da Rio-92, a canadense voltou a ser ouvida, desta vez para pessoas que a escutavam numa das salas da Rio+20. Aos 32 anos, agora ambientalista profissional, Suzuki foi clara:

“Há 20 anos eu acreditei que se me endereçasse aos líderes, se falasse a verdade, eles teriam o poder para liderar nossa sociedade para uma forma melhor de vida. Mas gradualmente percebi que cidadãos precisam se engajar. Nós temos que ir lá, que lutar por nossas comunidades, não podemos esperar os líderes. A estratégia humana global continua sendo tornar tudo da natureza em lucro. Já fiz muita coisa na vida, mas aqueles seis minutos falando para os líderes foi a coisa mais forte que fiz para afetar pessoas”.

Como se vê, a ONU tem pela frente um desafio cada vez mais crescente. O principal é não deixar a voz desses jovens – de Severn Suzuki a Antonia – falar para o vazio.

Fotos: 
Maria Antonia Ferreira em frente ao prédio da ONU em Nova York e durante sua palestra (Divulgação)
Severn Suzuki fala na Rio+20 (Daniel Buarque/G1)



Cliente da Presoti no Jornal Estado de Minas


24/03/2015

Em artigo publicado no último sábado (21/03) no jornal Estado de Minas, o diretor-executivo da Getrak, Frederico Menegatti, fala sobre o mercado de tecnologia no Brasil e no mundo. Confira!

 

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The Best promove campanha de doação de brinquedos


10/10/2014

 Com a proximidade da data do Dia das Crianças, a The Best Idiomas e Informática está arrecadando brinquedos para serem doados às crianças de comunidades carentes da zona rural de Santa Maria de Itabira (interior de Minas Gerais).

Alunos e público interessado podem fazer doações de brinquedos até o dia 11 de outubro nas seis unidades da Escola. Há unidades na região centro-sul de Belo Horizonte, região de Venda Nova e Barreiro.  Telefone de contato: (31) 3219-2900.



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